"As pessoas sentem minha escrita como uma agressão; elas sentem que existe nela alguma condenação à morte; eu não as condeno à morte, simplesmente suponho que já estejam mortas." - (Michel Foucault)

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Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Tiro no escuro

Queria desabafar os meus desafetos com qualquer pessoa que encontrar no meio do holocausto urbano. Mas as pessoas olham pra mim com cara de desconfiado. E tudo é tão podre e pífio que os padres resolveram caçar os próprios demônios. Os pedófios resolveram se castrar e eu resolvi me abster de falar mal do lateral esquerdo do meu time. Estou de mãos atadas como o coração em convulsão. Ninguém acredita mais em mim, nem no mar, nem no semáforo, nem nas estrelas. O verde que eu vejo é tão singular. As páginas do meu caderno estão em branco assim como os meus lábios. Não tem nada que eu possa fazer. O jeito é esperar o fim do mundo ou o próximo big ben. E se as mudanças não ocorrerem, a gente se encontra no fogo e na escuridão da enferneira glacial onde os corações mais severos habitam.

.: posted by Daniel Velloso 10:01 AM

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Quinta-feira, Setembro 24, 2009

Objeto direto

Eu acho que nunca amei ninguém. Mas o fato de nunca amar, não quer dizer que eu tenha ódio do mundo. Talvez tenha encontrado o amor por aí, mas eu vivo distraído. E cada vez mais distante do amor. Às vezes vegeto, curto o som do silêncio, termino uma cartela de chicletes que me fazem passar o tempo e esquecer que a minha vida é tão transitiva. Já tentei amar meus amigos, aquela poesia do Fernando Pessoa ou até mesmo quando a lua aparece. Mas tudo é tão fugaz e inconstante. Limpo meu corpo com lágrimas e minha alma com palavras óbvias. Um “eu te amo” dito por alguém não significa que você vai ficar comigo pra sempre. Porque as coisas cansam se não forem devidamente esclarecidas. Quanto mais a gente cresce parece que menos ama. Porque o modo de viver vai se dissolvendo dando lugar ao medo da morte. Todo mundo já "morreu de amor" quando era mais jovem. Porque o coração dispara, a barriga gela, e até mesmo as notícias de jornais não têm mais graça. Os cabelos brancos vêm e dão lugar ao conforto de se tolerar. Não acho que as pessoas se amam. Mas afinal, o que é o amor? As pessoas falam de Deus, Jesus, santos, duendes. E até dizem que o amor é como o ar. Eu não vejo o ar assim como não vejo o amor. Mas assim como não vivo sem ar, consigo viver ser amor sim. Vivo sem esse amor propagado no beijo da novela, nos recados do Orkut, nos outdoors. Nas pessoas que necessitam ser amadas. Eu acho sinceramente que somos objetos que precisam ser cuidados com carinho para não serem jogados no lixo sem que um dia tenham tido utilidades. Porque o amor nos torna tolos. O amor não precisa ser preposicionado. Eu não preciso DE você. Eu cultivo um sentimento que eu não sei o nome. Mas é tudo menos amor. Não acredito que vivemos pelo amor. As pessoas estão perdidas. Eu acho que se realmente o amor existisse, não existiria guerra. Se o amor existisse não haveria depressão, câncer, AIDS e infarto. Será que você realmente ama? Porque eu acho que quem inventou essa palavra estava em outro planeta. Esse é mais um texto de um cara que tentou falar de uma coisa que desconhece. É como ter saudades de uma coisa que nunca se viveu. É como saber o final do filme por alguém e perder totalmente a graça. E assim eu me sinto como um cara que tentou voar mais não tinha asas. Apesar de tudo, quando eu me cresço me refaço, procuro viver em paz. Estamos na eterna busca de saber o que é amor. Porque se pra você ele começou e te fez sorrir, pra outros ele acabou e faz chorar. Se amor é tão bom assim, porque faz chorar? Eu prefiro dizer que não faço guerra e nem faço amor. Eu faço a diferença.

.: posted by Daniel Velloso 6:35 PM

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Quinta-feira, Setembro 10, 2009

Mantra

Ouvi alguém com uma voz melodiosa falando meu nome. Quando olhei pra trás, vi que era uma pessoa que eu nunca havia trocado uma só palavra. Mas ela sabia meu nome. Talvez soubesse de mim até mais do que eu possa imaginar. Ela perguntou o nome do professor de literatura africana. Não, não, eu não tenho aula de literatura africana. Acho que ficou um vazio entre nós dois. Ela disse “obrigada” mesmo eu não sabendo responder a pergunta feita. As pessoas são estranhas comigo. Elas me agradecem demais. Eu sempre digo que elas não precisam agradecer. Apenas quero ver os seus olhos vivos e seus sorrisos sinceros. Incrível como dizer que saudade é algo natural de se sentir, mas não tão natural assim de se viver com ela 24 horas do seu dia. Ainda lembro de ontem à noite. Consegui lembrar o cheiro, pele, boca e cabelos. Também lembro o cheiro do ar que me fez entrar em uma espécie de transe. As coisas em minha volta não faziam sentido algum. A luz que piscava era a luz de dentro da sua retina. Falamos de Deus, futebol, música e tédio. Mas não falamos do tempo. Nem me importou se estivesse frio ou calor, ou se estivesse chovendo. O assunto era algo infindável e não tão peculiar. O único tempo que me preocupava era o tempo que o relógio insistia em clamar por silêncio. Tinha até um cara tocando guitarra e dizendo que as pessoas deviam se amar mais. Estava tão atônito com as coincidências de uma conversa sem futuro que só no final prestei atenção que aquele homem estava tocando legião. É, como se não houvesse amanhã. O amanhã só me trouxe mais saudade. Mas eu gravei o seu nome e disse que a veria em breve. Enquanto nada disso acontece, eu consegui compor uma música que fala um pouco das aproximadamente 1h, 20 min e 30 segundos que ficamos conversando:

“Os meus olhos ardem como fogo
Enquanto tua boca se umidece
Pare logo com esse jogo
Atenda logo minha prece
Assim seja, amém, gloria a Jesus
É assim que se agradece
Tua alma que reluz
É a mesma que apetece...”


Já tentei cortar o cabelo em outro lugar, já tentei ouvir uma música diferente quando estou com a cabeça pra fora da janela do ônibus, já tentei largar meus vícios. Já tentei tirar a melhor nota na prova de filosofia contemporânea.
Mas o que eu não consigo é parar de tentar ser o velho piegas romântico que vê o mundo como um grande amontoado de pessoas que no fundo, mas bem no fundo tentam propagar o amor do jeito mais bizarro possível. Posso até tentar não falar de amor. Posso falar mal dos políticos, posso largar a faculdade, posso resolver em um dia os problemas do mundo. Mas a minha vida será sempre essa linda tarde de verão ensolarada onde o mundo sorri quando tudo se acaba e no outro dia começa tudo de novo. Esse é o meu ciclo. É a minha música. O meu mantra.

.: posted by Daniel Velloso 10:30 PM

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Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Pra cegar os olhos

Eu tenho tatuagens, vivo de boné e bermuda
Ele vê filmes suecos, bebe whisky e tem carro

E ela? Irresistível.


.: posted by Daniel Velloso 10:13 PM

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